A decisão foi confirmada pelo Conselho de Administração da estatal, que incluiu a UFN3 no Plano Estratégico 2024-2028, validando a viabilidade econômica do projeto, e divulgada na última semana, durante o Fórum Brasil de Energia, no Rio de Janeiro. Agora, a Petrobras inicia os processos de contratação para a retomada das obras, que estavam paralisadas desde 2014, quando a construção já estava 80% concluída.
O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, se reuniram com representantes da Petrobras para definir os próximos passos da reativação da fábrica há poucos dias. Embora a autorização final ainda dependa de aprovação interna da estatal, a expectativa é que os contratos para a retomada das obras sejam assinados em breve.
Empregos
Para suprir a necessidade de mão de obra qualificada com a retomada das obras e a futura operação da UFN-3, a Petrobras anunciou nesta semana a abertura de quase 4 mil vagas em Três Lagoas por meio do Programa de Capacitação Autonomia e Renda. A iniciativa tem como foco a qualificação profissional de pessoas em situação de vulnerabilidade social, priorizando moradores locais e ampliando as oportunidades de emprego no setor de óleo e gás.
O programa é fruto de uma parceria entre a Petrobras, o Sesi-Senai e os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Serão oferecidos cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) para candidatos com, no mínimo, o 5º ano do Ensino Fundamental, além de cursos técnicos voltados para quem já concluiu o Ensino Médio. A capacitação visa impulsionar a geração de empregos na região, atendendo tanto a demanda da UFN-3 quanto do Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro.
Potencial estratégico
Projetada para operar com 2,3 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, a UFN3 terá capacidade para produzir 3.600 toneladas de ureia e 2.200 toneladas de amônia por dia. Esse volume ajudará a reduzir a dependência nacional de importações, tornando o Brasil mais competitivo no agronegócio.
Uma longa trajetória de idas e vindas
A construção da UFN3 começou em 2011, mas foi interrompida em 2014 devido a investigações de corrupção envolvendo integrantes do consórcio responsável pela obra.
Desde então, a fábrica passou por tentativas frustradas de venda, incluindo negociações com o grupo russo Acron, que foram interrompidas por questões geopolíticas e pela crise na Bolívia.
Em 2023, a Petrobras anunciou o encerramento do processo de comercialização da unidade, reabrindo o caminho para sua conclusão. Agora, com a decisão consolidada, a UFN3 finalmente se aproxima de sair do papel e se tornar uma peça-chave para o setor de fertilizantes no Brasil.
Com um aporte estimado de R$ 5 bilhões ao longo dos próximos anos, a fábrica de Três Lagoas pode se tornar um dos principais polos nacionais para a produção de fertilizantes, marcando um novo capítulo para a economia do Mato Grosso do Sul e para o agronegócio brasileiro.
Com Estadão Conteúdo