VIDAS EM RISCO NA MS-112: ATÉ QUANDO A OMISSÃO?
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VIDAS EM RISCO NA MS-112: ATÉ QUANDO A OMISSÃO?

A situação ao longo da rodovia MS-112, nas proximidades da entrada de Inocência, é alarmante e exige providências imediatas.

Às margens dessa via, encontram-se diversos alojamentos que abrigam cerca de 10 mil trabalhadores envolvidos na obra do projeto Sucuriú, ligado à multinacional Arauco. Trata-se de um fluxo humano intenso convivendo diariamente com um trânsito igualmente intenso — uma combinação perigosa que, infelizmente, já tem deixado marcas trágicas. Neste mês, uma vida foi perdida.

Um trabalhador foi atropelado por uma caminhonete da empresa Pantanal, prestadora de serviço da Sanesul, e morreu ainda no local. Uma morte que poderia — e deveria — ter sido evitada.

Há muito tempo, os trabalhadores vêm solicitando medidas básicas de segurança: redutores de velocidade, placas de sinalização adequadas, quebra-molas ou até mesmo controladores eletrônicos de velocidade. Os alojamentos, segundo informações, são administrados pela empresa Meta, que tem responsabilidade direta sobre o bem-estar desses trabalhadores. No entanto, a ausência de ações concretas demonstra uma preocupante negligência.

Além disso, a concessionária Way, responsável pela rodovia, também não atendeu às diversas solicitações feitas até agora. É inadmissível que, diante de um cenário tão crítico e já marcado por acidentes, as medidas continuem sendo ignoradas. A omissão custa vidas.

Vale lembrar que esse contingente de trabalhadores ainda deve crescer: estima-se que o projeto venha a empregar até 14 mil pessoas. Ou seja, o risco tende a aumentar ainda mais se nada for feito com urgência. Não se trata apenas de infraestrutura, mas de respeito à vida humana.

Empresas que lucram com grandes empreendimentos têm, sim, o dever de garantir condições seguras para aqueles que tornam esses projetos possíveis. A falta de ação evidencia uma grave falha de responsabilidade.

Até quando vidas serão perdidas para que atitudes concretas sejam tomadas? Os trabalhadores esperam— e exigem — respostas.

 

(*) Ricardo Ojeda Perfil News