Falta de empatia e burocracia expõem fragilidade no atendimento público
Uma denúncia feita pela mãe Ester nas redes sociais vem causando indignação em Três Lagoas. Ela relata que a Secretaria Municipal de Saúde negou transporte em ambulância para seu filho Kaleb, uma criança com deficiência que passou por cirurgia de quadril e precisa se deslocar até o hospital para avaliação e possível retirada do gesso.
Segundo Ester, o procedimento foi realizado por convênio médico, e o pedido para transporte foi feito por meio de um médico particular. A justificativa da Secretaria para a negativa foi justamente o fato de não se tratar de solicitação feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo assim, a mãe afirma que, independentemente da origem do atendimento, seu filho é paciente residente no município e deveria ter direito ao transporte por se tratar de um caso delicado e que exige cuidado especial.
“Meu filho não pode se locomover de forma segura sem transporte adequado. Estamos falando de uma criança com deficiência, recém-operada, imobilizada em gesso. É desumano negar um serviço que poderia ser oferecido”, lamentou Ester, visivelmente emocionada em seu desabafo online.
Especialistas lembram que, ainda que o procedimento tenha sido feito via plano de saúde ou particular, a Constituição garante acesso universal e igualitário aos serviços do SUS, especialmente em casos que envolvem transporte de pacientes com restrições físicas e riscos à saúde. Além disso, o Código de Ética Médica e princípios básicos de saúde pública orientam que o cuidado ao paciente deve estar acima de burocracias administrativas.
A decisão da Secretaria evidencia a fragilidade de políticas públicas voltadas à inclusão e ao cuidado de pessoas com deficiência no município. Não se trata apenas de uma questão legal, mas de sensibilidade e empatia diante de uma situação que envolve dor, limitação física e vulnerabilidade social.
Enquanto autoridades se escondem atrás de regras frias e justificativas técnicas, famílias como a de Ester enfrentam sozinhas desafios que poderiam ser minimizados com um simples gesto de humanidade.
Se o poder público se orgulha de cuidar das pessoas, casos como esse mostram que ainda há um longo caminho a percorrer para que a empatia, de fato, faça parte das políticas de saúde de Três Lagoas.
FONTE: JORNAL RAIO X



