R$ 24 milhões para Unidas Vigilância e Segurança
Contrato acende alerta sobre gestão de recursos públicos, transparência e prioridades administrativas em Três Lagoas
A contratação de serviços de vigilância por meio de terceirização voltou ao centro do debate público em Três Lagoas. Um contrato que chegou a R$ 24 milhões com a empresa Unidas Vigilância e Segurança acende um alerta sobre gestão de recursos públicos, transparência e prioridades administrativas no município.
A justificativa oficial costuma seguir o mesmo roteiro: garantir segurança patrimonial em prédios públicos, suprir falta de servidores efetivos e aumentar a eficiência. No papel, parece razoável. Na prática, porém, surgem questionamentos inevitáveis.
O primeiro deles é o custo.
R$ 24 milhões não é um valor trivial — especialmente em uma cidade onde faltam investimentos em áreas essenciais como saúde, infraestrutura e educação. O cidadão comum se pergunta: quanto custa, de fato, cada vigilante? E mais: esse modelo terceirizado é realmente mais econômico do que a contratação direta via concurso público?
Outro ponto crítico é a transparência.
Como foi estruturado esse contrato? Houve ampla concorrência? Quais critérios definiram a escolha da empresa? Existe fiscalização rigorosa sobre a execução do serviço? Em contratos desse porte, qualquer brecha pode significar desperdício de dinheiro público — ou algo ainda mais grave.
A terceirização, por si só, não é o problema.
Mas, quando mal planejada ou utilizada de forma indiscriminada, pode se transformar em um mecanismo de precarização do trabalho e de aumento de custos. Vigilantes terceirizados frequentemente recebem menos, têm menos estabilidade e enfrentam condições mais frágeis — enquanto o município arca com valores elevados no contrato global.



