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Petrobras retoma processo para concluir fábrica de fertilizantes em Três Lagoas

Petrobras retoma processo para concluir fábrica de fertilizantes em Três Lagoas

Obra da fábrica de fertilizantes foi suspensa em 2014 (Foto: Saul Schramm/Arquivo)
Economia

Petrobras retoma processo para concluir fábrica de fertilizantes em Três Lagoas


Companhia prevê pré-operação em 2028; consumo de gás natural será garantido pela malha integrada nacional

A retomada das obras Unidade de Fertilizantes Nitrogenados, em Três Lagoas, já entrou na fase de contratação de empresas para a conclusão da fábrica – lançada oficialmente em 2008 com o objetivo de reduzir a dependência externa de fertilizantes e fortalecer o agronegócio nacional.

Na prática, o projeto da UFN3, como é denominada, avança atualmente em duas frentes estratégicas, conforme informou a Petrobras ao Campo Grande News. Na contratação dos pacotes de obras e na estruturação da garantia de suprimento energético – fatores considerados determinantes para tirar o empreendimento do papel após mais de uma década de paralisação.

A aprovação final dos investimentos pelas instâncias competentes da Petrobras está prevista para o primeiro semestre de 2026, o que permitirá, segundo a empresa, que as obras sejam retomadas ainda este ano.

A estatal projeta ainda “o início da pré-partida operacional para 2028”, etapa que antecede o começo da produção comercial. O cronograma posiciona a conclusão da UFN3para 2029.

Demanda de gás já está prevista no plano 2026–2030

Assim que entrar em operação, a UFN3 deverá consumir aproximadamente 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Segundo a companhia, essa demanda já está contemplada no Plano de Negócios 2026–2030 e integrada ao planejamento de oferta e demanda de gás natural.

“Esse planejamento considera o conjunto completo de premissas de oferta e demanda de GN”, informou a estatal. Ou seja, o suprimento contínuo necessário para viabilizar a fábrica já está incorporado às projeções de médio prazo.

A Petrobras diz que a garantia estruturada de suprimento para a UFN3 não tem vínculo específico empresas fornecedoras do gás que precisará para operar.

“O projeto da UFN3 considera acesso à malha integrada nacional de transporte de gás natural, que reúne diversas fontes de suprimento – nacionais e importadas – e possibilita o atendimento às demandas do mercado brasileiro como um todo."

Após a entrada do gás na malha, não é possível associar um consumidor a uma origem determinada. Isso significa que a UFN3 não estará diretamente atrelada ao gás boliviano ou argentino, ponto sensível diante da retração das importações da Bolívia e da maior integração com a Argentina.

A Petrobras pretende investir neste ano R$ 1,564 bilhão na retomada das obras da UFN3 em Três Lagoas – quase metade do total de R$ 3,5 bilhões estimados para a conclusão da unidade. O valor consta da Lei Orçamentária Anual (LOA), já sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os recursos estão inseridos no Plano de Negócios que destina US$ 15,8 bilhões ao segmento RTC (refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes).

Além da conclusão da unidade sul-mato-grossense, o plano prevê a continuidade das operações das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia e de Sergipe (Fafen-BA e Fafen-SE) e da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA).

Capacidade de produção e mercado consumidor

O projeto da UFN3 prevê a produção anual de cerca de 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia. Localizada próxima aos principais mercados consumidores, a fábrica deverá atender prioritariamente Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo.

Com foco na redução da dependência externa de fertilizantes utilizados pela agricultura brasileira, a unidade é considerada estratégica para o agronegócio nacional.

 

 

FONTE: CAMPO GRANDE NEWS