Pedidos devolvidos, consultas e exames que não saem: pacientes ficam presos na burocracia da saúde de Três Lagoas

Pedidos devolvidos, consultas e exames que não saem: pacientes ficam presos na burocracia da saúde de Três Lagoas

Entre as maiores reclamações está a dificuldade para conseguir ultrassom obstétrico, exame essencial para o acompanhamento de gestantes

A escassez de vagas em algumas  especialidades médicas e a falta de vagas exames na rede pública de saúde de Três Lagoas têm provocado um efeito cascata que termina sempre no mesmo lugar: prejuízo para o paciente.

Relatos enviados ao Jornal da Lagoa apontam que médicos reguladores têm devolvido com frequência encaminhamentos e solicitações de exames feitos nas unidades de saúde, o que gera atraso no atendimento e confusão entre os usuários do sistema.

Entre as maiores reclamações está a dificuldade para conseguir ultrassom obstétrico, exame essencial para o acompanhamento de gestantes. Sem vagas suficientes no sistema, pedidos acabam retornando para as unidades de origem, mesmo quando não haveria necessidade de revisão do médico solicitante.

O problema é que quem sofre as consequências é o paciente.

Sem entender o motivo da devolução do pedido, muitos acreditam que houve erro na solicitação feita pelo médico da unidade básica. Isso gera desgaste entre paciente e profissional de saúde, além de aumentar a desconfiança no sistema.

“Quando o pedido volta, o paciente retorna à unidade achando que o médico fez algo errado. Na verdade, muitas vezes o pedido foi devolvido porque simplesmente não há vaga disponível”, relatou um profissional da rede, que preferiu não se identificar.

O resultado é um ciclo burocrático que só aumenta a demora. O paciente volta à unidade, precisa passar novamente por avaliação, o pedido é reenviado para a regulação e entra novamente na fila.

Enquanto isso, exames importantes ficam sem realização.

No caso das gestantes, a situação preocupa ainda mais. O ultrassom obstétrico é fundamental para o acompanhamento da saúde da mãe e do bebê, e atrasos podem comprometer o diagnóstico precoce de possíveis complicações.

Moradores também relatam dificuldade para conseguir consultas em diversas especialidades, o que demonstra um estrangulamento na capacidade de atendimento da rede municipal.

 Especialistas apontam que o sistema de regulação deveria funcionar para organizar o acesso aos serviços, e não para criar barreiras administrativas.

Quando faltam especialistas, exames e vagas, o sistema passa a operar no limite — e o resultado aparece na ponta: pacientes perdidos, profissionais desgastados e filas cada vez maiores.

Até agora, a Secretaria Municipal de Saúde não apresentou explicações públicas sobre a devolução frequente de encaminhamentos e a escassez de vagas para exames e consultas especializadas.

Enquanto isso, quem depende do SUS em Três Lagoas continua enfrentando um problema que já se tornou rotina: a espera sem resposta.

 

 
FONTE: JORNAL DA LAGOA