Andradina
Araçatuba
Três Lagoas
Birigui
Governo estuda reativar ferrovia de Três Lagoas e região; chineses aparecem no radar da Malha Oeste
Featured

Governo estuda reativar ferrovia de Três Lagoas e região; chineses aparecem no radar da Malha Oeste

A velha Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) — memória viva de Andradina e de todo o eixo paulista-centro-oeste — hoje atende pelo nome Malha Oeste. Trata-se de um dos mais estratégicos corredores ferroviários do país, ligando Mairinque (SP) a Corumbá (MS) e costurando o interior paulista ao coração agrícola e mineral do Centro-Oeste, até a fronteira boliviana.

São cerca de 1,6 a 2 mil quilômetros de trilhos, que, se devidamente reabilitados, podem devolver competitividade logística a grãos, minérios e cargas gerais — e recolocar a ferrovia no centro do desenvolvimento regional.

Em que pé está a concessão

A atual operadora aderiu ao processo de relicitação, e o Governo Federal, em parceria com a ANTT, trabalha na modelagem de um novo edital que deverá transferir a concessão a um novo operador.

Em 2025, o Tribunal de Contas da União (TCU) afastou a possibilidade de prorrogação com a concessionária vigente, abrindo caminho para um novo leilão público. Para elevar a atratividade, o Ministério dos Transportes pretende anexar o Ferroanel de São Paulo ao pacote — uma solução que destrava gargalos de entrada e saída de trens na Região Metropolitana e agrega valor estratégico à Malha Oeste.

Na imprensa especializada e regional, fala-se em 1º semestre de 2026 como janela provável para a disputa.

O “China Factor”: fatos e possibilidades

Fatos.
• Grupos chineses já atuam em projetos ferroviários paulistas. Em 2024, um consórcio liderado pela CRRC venceu o Trem Intercidades (SP–Campinas), consolidando a presença da engenharia e do capital chinês no setor.

  • Em 2025, Brasil e China firmaram um memorando de cooperação ferroviária, reforçando a disposição mútua em expandir investimentos logísticos.

 

Possibilidades

Com a relicitação aberta a players internacionais, empresas chinesas estão tecnicamente habilitadas a disputar a Malha Oeste. Até o momento, porém, nenhum grupo chinês declarou publicamente interesse direto na concessão.

A decisão dependerá da equação risco–retorno do edital — o volume de investimento obrigatório, as metas de desempenho, o valor de outorga, os prazos contratuais — e da estratégia global de cada corporação.

Por que o pacote pode atrair capital estrangeiro

  • Sinergia metropolitana: a integração com o Ferroanel promete reduzir gargalos, encurtar ciclos logísticos e garantir maior previsibilidade operacional — um verdadeiro “seguro de produtividade” para quem assumir a Malha Oeste.
  • Demanda estrutural: o Centro-Oeste brasileiro segue expandindo suas frentes agrícolas e minerais, garantindo carga potencial para justificar pesados investimentos em revitalização de via permanente, sinalização, pátios de cruzamento e terminais intermodais.
    • Narrativa binacional: a ligação até Corumbá, na fronteira com a Bolívia, abre espaço para integração logística com o Corredor Bioceânico, conectando o Atlântico ao Pacífico — um vetor que desperta especial interesse de investidores asiáticos.

 

O que acompanhar daqui em diante

Minuta do edital da ANTT: definição da matriz de riscos, exigências de investimento, metas de desempenho e regras para participação de estrangeiros.

Audiências e consultas públicas: momento em que o mercado e governos locais podem influenciar o desenho financeiro e o cronograma.

Movimentos de mercado: declarações e comunicados de grupos como a CRRC e outras corporações asiáticas ligadas a transporte pesado e financiamento ferroviário.

Modelagem do Ferroanel: sua amarração jurídica e técnica com a Malha Oeste será determinante para viabilizar o conjunto.

 

 

FONTE: JORNAL IMPACTO ONLINE