Câmara de Três Lagoas conclui que contratação emergencial da coleta de lixo teve legalidade

Câmara de Três Lagoas conclui que contratação emergencial da coleta de lixo teve legalidade

Relatório da Comissão de Inquérito foi aprovado na sessão desta terça-feira

Relatório apresentado por comissão de inquérito foi aprovado pela maioria dos vereadores

A Câmara Municipal de Três Lagoas aprovou, por voto da maioria dos vereadores, o arquivamento da denúncia de possíveis irregularidades na contratação emergencial dos serviços de coleta e disposição final de lixo, no município. Na sessão desta terça-feira (1), a Casa votou o relatório produzido após investigação conduzida por uma Comissão de Inquérito (CI), a partir de denúncia de que a prefeitura poderia ter favorecido a empresa Financial Construtora Industrial Ltda, em um contrato no valor de R$ 1,1 milhão pelo período de três meses.

A CI foi instaurada em 23 de maio, motivada por requerimento assinado por onze vereadores e por ofício do Ministério Público Estadual, solicitando providências a respeito da denúncia formulada por representante da empresa Kurica, concorrente no processo licitatório que teria perdido, mesmo tendo apresentado menor preço do que o contratado pela prefeitura.

A comissão foi formada pelos vereadores Sargento Rodrigues (presidente), Marisa Rocha (relatora) e Wagner Tenório (membro). Em reunião realizada dia 22 de junho, definiu-se pela oitiva das empresas participantes, bem como de servidores da prefeitura ligados ao processo licitatório e aos serviços contratados. Assim, a comissão tomou depoimentos de Luiz Henrique Gusmão, assessor Jurídico do Município, Daynler Martins Leonel, secretário Municipal de Governo e Políticas Públicas, Dirceu Degutti Vieira Filho, secretário Municipal de Infraestrutura, Transporte e Trânsito, Adriano Kawata Barreto, diretor de Infraestrutura, Adelvino Francisco de Freitas, diretor de Licitação, Marcelo Almeida de Oliveira, denunciante representando a empresa Kurica, e o empresário Ivan Garcia de Oliveira, representando a Financial. Também foram analisados documentos sobre o processo.

Segundo as apurações e relatório elaborado pelos membros da CI, as contratações emergenciais, segundo a legislação, possibilitam a chamada “discricionariedade de contratação, pois o serviço prestado possui caráter essencial e contínuo, desde que devidamente justificado, podendo inclusive desprezar o menor valor, mantendo o preço de mercado”.

Quanto à dispensa do menor valor pela administração pública, foi concluído que a “Administração não poderia correr o risco de contratar com empresa cujo preço apresentava-se fora do mercado, ou seja, abaixo dos valores de todas as empresas ao qual realizou cotação”. Além disso, foi justificado que a contratação emergencial ocorreu enquanto não se concluiu o processo de elaboração e estudo de implantação de Parceria Público Privada para a realização da coleta, transporte e disposição final dos resíduos sólidos produzidos na cidade.

Ainda de acordo com o relatório da vereadora Marisa Rocha, “não há motivo que caracterize dolo dos gestores públicos no tocante a celebração do contrato emergencial em questão, haja vista ser celebrado pelos ditames da lei, embasado em preços de mercado e entendimento jurisprudencial”.

Por isso, foi indicado o arquivamento da comissão de inquérito por “não produzir nenhuma prova hábil de penalização ou constatação e irregularidade e improbidade administrativa por parte do Sr. Ângelo Chaves Guerreiro e demais secretários, entendendo que trata-se de medida de justiça […] por não verificar indícios e irregularidades”.

Por fim, zelando pela supremacia do interesse público, o relatório aprovado recomenda a abertura de processo licitatório com base na Lei 8.666/93, para a continuidade dos serviços de lixo.

O presidente da CI, vereador Sargento Rodrigues, afirmou que o processo foi extenso, requereu tempo, mas foi feito com muita seriedade, com apoio e suporte jurídico da Câmara. “Nós apuramos a denúncia friamente. Tivemos o entendimento de arquivar, porque o processo foi feito de forma legal”, fez questão de ressaltar Rodrigues.

assessoria legislativa de comunicação