Crianças e adultos com diabetes tipo 1 enfrentam burocracia e negligência no acesso à insulina de alto custo em Três Lagoas

Crianças e adultos com diabetes tipo 1 enfrentam burocracia e negligência no acesso à insulina de alto custo em Três Lagoas

Pais de crianças com diabetes tipo 1 em Três Lagoas estão enfrentando uma verdadeira via-crúcis para garantir o acesso à insulina de alto custo, um tipo de insulina especial como a Degludeca, medicamento essencial para o tratamento dos pequenos e também adultos diabéticos tipo 1. 

A equipe do Jornal Raio-X recebeu diversas denúncias relatando dificuldades impostas pela Farmácia de Alto Custo do município e do estado, que estaria exigindo renovação das receitas exclusivamente com endocrinologista infantil para as crianças e endocrinologista para os adultos.

A medida, considerada por muitos pais como burocrática e desumana, desrespeita a realidade da saúde pública municipal. Muitos dos pacientes em questão são acompanhados por médicos generalistas ou pediatras capacitados, mas tiveram suas receitas recusadas, sendo orientados a procurar endocrinologistas particulares — algo que grande parte das famílias simplesmente não pode pagar.

"Minha filha depende da insulina para viver. Fui renovar a receita como sempre fiz com a médica do posto, e negaram. Disseram que só com endocrinologista. Como vou pagar R$ 400 em uma consulta particular?", relata uma mãe, visivelmente angustiada, que prefere não se identificar.

A indignação das famílias ganha ainda mais peso diante de outro fato grave: o município está sem endocrinologista infantil há meses. Segundo relatos, a única vaga existente está em fila de espera e há dezenas de crianças aguardando atendimento especializado.Mesmo assim, a Farmácia de Alto Custo insiste na exigência, ignorando a ausência de profissionais na rede pública.

"O que vemos é um completo descaso. A Prefeitura exige algo que ela mesma não oferece. Estamos lidando com vidas. Isso é negligência", desabafa outro pai afetado.

As insulinas de alto custo, como a análoga de ação lenta e  rápida, são fornecidas mediante apresentação de laudos e receitas médicas atualizadas.

Tradicionalmente, médicos generalistas ou pediatras do SUS realizavam a troca dessas receitas.

Enquanto isso, adultos e crianças  seguem expostos a riscos reais de descompensação, internações e até morte. A insulina não é um luxo. É um direito — e um direito que está sendo negado.

O Jornal Raio-X continuará acompanhando o caso e cobrando as autoridades para que nenhuma criança seja deixada para trás por falta de um simples carimbo em uma receita.
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FONTE JORNAL RAIO X