Auditoria da Secretaria de Saúde de Três Lagoas cobra do Hospital Auxiliadora devolução de mais de meio milhão de reais

Auditoria da Secretaria de Saúde de Três Lagoas cobra do Hospital Auxiliadora devolução de mais de meio milhão de reais

Auditoria da Secretaria de Saúde cobra do Hospital Auxiliadora devolução de mais de meio milhão de reais

De acordo com os demonstrativos analisados para que o hospital receba 100% dos recursos pactuados, é necessário atingir pelo menos 80% da meta de produção contratada

Documentos do Sistema Municipal de Auditoria da Secretaria Municipal de Saúde (SMS)  apontam a necessidade de devolução ou desconto de recursos financeiros por parte do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora (HNSA). A informação foi divulgada por um site de notícias de Três Lagoas. 

A medida é resultado de auditorias realizadas sobre a produção hospitalar em diferentes meses de 2025, com base nas metas contratuais estabelecidas para os atendimentos de Média Complexidade (SIH – Sistema de Informações Hospitalares).

Entenda a notificação e os valores apurados

De acordo com os demonstrativos analisados, para que o hospital receba 100% dos recursos pactuados, é necessário atingir pelo menos 80% da meta de produção contratada. 

Nos períodos auditados, a produção ficou abaixo do percentual mínimo exigido, gerando apontamento para restituição ou desconto proporcional nos repasses.

Período: fevereiro a abril de 2025
Fevereiro: 79,32% de produção
Valor a devolver: R$ 92.103,09
Março: 74,40% de produção
Valor a devolver: R$ 113.969,29
Abril: 68,45% de produção
Valor a devolver: R$ 140.473,78 

Período: maio a julho de 2025

Maio: 75% de produção

Valor a devolver: R$ 111.318,85
Junho: 74,85% de produção

Valor a devolver: R$ 111.981,46
Julho: 74,85% de produção

Valor a devolver: R$ 111.981,46
No total dos seis meses auditados, os valores somados ultrapassam R$ 680 mil.

Segundo os documentos, a análise foi fundamentada em planilhas orçamentárias e relatórios de produção hospitalar vinculados ao contrato vigente com o município.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde esclareceu que o procedimento integra a rotina administrativa de fiscalização dos contratos firmados com prestadores do SUS.

Em nota, a pasta afirmou "que não se trata de denúncia ou apontamento de irregularidade, mas de ato rotineiro de fiscalização, acompanhamento e controle da execução contratual".

A SMS reforça que a auditoria busca assegurar o cumprimento das metas pactuadas e a correta aplicação dos recursos públicos, seguindo critérios técnicos estabelecidos em contrato.

Em nota pública, o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora declarou que não houve descumprimento assistencial e que a redução no giro hospitalar e na emissão de Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs) está relacionada ao perfil clínico dos pacientes atendidos e a fatores estruturais da rede.

Entre os principais pontos apresentados pelo hospital estão complexidade clínica, defasagem da tabela SUS, política de alta segura, impacto financeiro.

Segundo o Hospital, procedimento segue em trâmite administrativo e poderá resultar em compensação, desconto ou revisão técnica, conforme análise da comissão competente.

Tanto a Secretaria Municipal de Saúde quanto o Hospital Auxiliadora afirmam que o atendimento à população segue normalmente e que não há interrupção nos serviços prestados pelo SUS em Três Lagoas.

Leia a nota na íntegra: 

O Hospital Nossa Senhora Auxiliadora vem a público esclarecer informações relacionadas à eventual devolução de recursos no âmbito da contratualização com o Sistema Único de Saúde (SUS). É imprescindível afirmar que não houve descumprimento assistencial por parte da instituição. O Hospital, referência regional, tem recebido e permanecido com pacientes de maior complexidade clínica, especialmente diante da superlotação das unidades de referência na capital e das limitações estruturais da rede assistencial.

O Hospital é acreditado ONA 3 – Acreditado com Excelência, o mais alto nível de certificação concedido pela Organização Nacional de Acreditação, atua rigorosamente conforme critérios técnicos, protocolos assistenciais atualizados e padrões nacionais de qualidade e segurança do paciente.

A acreditação atesta a maturidade da gestão, a integração dos processos e o compromisso permanente com a melhoria contínua e o cuidado seguro. Esses pacientes demandam maior tempo de internação, acompanhamento intensivo e maior consumo de recursos. Observa-se que, em diversos diagnósticos, há defasagem entre a permanência estimada na tabela SUS e os protocolos terapêuticos atuais. Há situações em que a estimativa administrativa prevê quatro dias de internação, enquanto a prática clínica contemporânea exige, em média, sete dias de tratamento. O Hospital não antecipa altas por critério financeiro. Ao contrário, adota planejamento terapêutico singular e assegura Alta Segura, priorizando a estabilidade clínica do paciente e a continuidade do cuidado.

A manutenção de pacientes por período superior ao previsto administrativamente, associada ao aumento da complexidade assistencial e à alta taxa de ocupação de leitos, reduz o giro hospitalar e impacta o quantitativo de internações e a emissão de AIHs previstas contratualmente. Importa destacar que, em levantamento recente, o impacto financeiro decorrente das diárias excedentes — calculadas com base nos respectivos CIDs e na defasagem da tabela SUS — alcançou aproximadamente R$ 4 milhões em determinado período. Trata-se de valor que o Hospital absorveu para garantir a assistência adequada à população. Dessa forma, além de não receber integralmente pelos dias efetivamente assistidos, a instituição se vê diante da possibilidade de devolução de recursos, cenário que reforça a necessidade de análise técnica criteriosa e contextualizada.

Qualquer eventual ajuste financeiro deve ser apurado exclusivamente no âmbito da Comissão de Monitoramento e Avaliação da Contratualização (CMAC), conforme previsto contratualmente, respeitando o devido processo administrativo. O Hospital Nossa Senhora Auxiliadora reafirma seu compromisso com a transparência, com a responsabilidade na gestão dos recursos públicos e, sobretudo, com a vida, a segurança e a dignidade dos pacientes atendidos pelo SUS. 

 

 

FONTE: JORNAL DA LAGOA