Toyota e Porsche no radar da IndyCar: O que é real e o que é apenas desejo
Rumores sobre a entrada de novos fabricantes voltaram a circular após o Monterey Reunion, mas a realidade é mais complexa. A Toyota não tem um motor 2.4 litros V6 biturbo pronto e segue apenas conversando com a categoria. Já a Porsche, que quase entrou há cinco anos, pode reconsiderar a decisão se reduzir seu programa GTP nos EUA. Roger Penske segue de portas abertas
A possibilidade de um novo fabricante entrar na Indy é um dos assuntos mais recorrentes do paddock. E, nos últimos dias, dois nomes voltaram a ganhar força: Toyota e Porsche. Mas, como quase tudo na política de motores, a distância entre o rumor e o contrato assinado é enorme.
No caso da Toyota, o interesse existe. A montadora japonesa conversa com a IndyCar há anos. Roger Penske esteve perto de garantir o retorno da marca, mas uma mudança de CEO nos Estados Unidos quebrou a ponte e o negócio não se concretizou. As conversas, no entanto, nunca terminaram. O que não existe, segundo apuração de Marshall Pruett, é um motor 2.4 litros V6 biturbo pronto para a nova fórmula da categoria em 2028. E sem motor, não há compromisso.
A Toyota tem, na Super Fórmula Japonesa, um propulsor turbo de pequena cilindrada que poderia, em tese, ser adaptado. A marca chegou a perguntar se poderia usar esse motor na IndyCar. A resposta, até o momento, foi não. A Penske Entertainment não abriu a porta para essa possibilidade. O desejo de continuar trabalhando em uma solução existe, mas não há nada concreto.
Pruett também desmontou a teoria que circulou após o Monterey Reunion, quando Zak Brown, CEO da McLaren, foi visto conversando diante de carros da Toyota. A caminhada anual entre os dois virou combustível para especulações sobre uma possível troca da McLaren para a Toyota. A leitura é simples: coincidência de cenário, não sinal de negociação.
A Porsche é outro nome que não sai do radar. A montadora alemã considerou seriamente a IndyCar há cinco anos. O projeto não avançou, mas as conversas deixaram marcas. Agora, com a redução do programa global de GTP, a Porsche já deixou o WEC no fim da temporada passada, a pergunta volta a fazer sentido. O programa da Porsche Penske Motorsport no IMSA está garantido até 2027, mas não há certeza sobre o que vem depois. Se a decisão for reduzir também a operação americana, a IndyCar pode se tornar uma alternativa natural.
A lógica de mercado favorece a categoria. Os Estados Unidos são um mercado essencial para a Porsche. A marca já competiu na Indy no passado e tem história na categoria. E Roger Penske, dono da IndyCar e parceiro da Porsche no programa GTP, é o interlocutor perfeito para manter a porta aberta.
Por enquanto, nada disso passa de possibilidade. A Toyota não tem motor. A Porsche não tomou decisão sobre o futuro do GTP. Mas o fato de os dois nomes seguirem aparecendo nas conversas mostra que a IndyCar, com a nova fórmula de motores em 2028, voltou a ser um destino atraente para fabricantes. E, se a Chevrolet e a Honda continuarem como únicas fornecedoras, será por escolha, não por falta de interessados.



