Após denúncia sobre contrato, Prefeitura destitui interventora da Santa Casa de Birigui

Após denúncia sobre contrato, Prefeitura destitui interventora da Santa Casa de Birigui

Santa Casa de Birigui está sob intervenção da Prefeitura desde 2022 (Foto: Divulgação)
 

Foi determinada a realização de uma auditoria administrativa e financeira e nova interventora nomeada deverá avaliar a necessidade de instauração de sindicância administrativa

 

 

A Prefeitura de Birigui (SP) publicou em edição extra do Diário Oficial do Município desta terça-feira (3), a destituição de Sirlei de Paula Pereira, do cargo de interventora da Santa Casa da cidade. A decisão foi tomada após o ex-vereador André Fermino, protocolar no Ministério Público, na quinta-feira passada, representação requerendo a instauração de inquérito civil.

Ele pede que sejam apuradas eventuais irregularidades no contrato da Santa Casa com uma empresa que é ligada ao próprio Diretor Técnico do hospital. O caso também foi apresentado ao Conselho de Saúde da Câmara para as devidas providências.

Na publicação, assinada pela prefeita Samanta Borini (PSD), consta que as medidas adotadas possuem caráter preventivo e organizacional, não implicando prejulgamento ou imputação de responsabilidade, “mas sim reforço dos mecanismos de controle e aprimoramento da governança institucional” .

Decreto

O decreto publicado nesta terça-feira nomeia Carmencita Rodrigues Paludetto como nova interventora e determina que ela exercerá a função com plenos poderes de gestão administrativa, financeira e contratual.

Segundo a publicação, a nova interventora deverá, no prazo máximo de 90 dias, fazer a revisão administrativa e financeira dos contratos assistenciais vigentes, “especialmente quanto à regularidade procedimental, adequada formalização, compatibilidade econômica, observância dos princípios da economicidade e vantajosidade e conformidade com o interesse público ”.

Auditoria

Também foi determinada a realização de uma auditoria administrativa e financeira destinada para analisar a formação de preços, execução contratual, volume de produção assistencial, regularidade formal dos instrumentos celebrados e eventual necessidade de readequação contratual.

Segundo o decreto, caberá à interventora avaliar a necessidade de instauração de sindicância administrativa para apurar eventuais falhas procedimentais na celebração e formalização de contratos assistenciais, assegurados o contraditório e a ampla defesa. 

Comissão

O decreto institui ainda, uma Comissão de Acompanhamento da Intervenção, para auxiliar na supervisão administrativa, financeira e contratual da entidade e acompanhar os trabalhos de auditoria e revisão contratual.

Essa comissão será composta pelo vice-prefeito Marcelo Parizati; por Paulo Rebecchi, representando a Secretaria Municipal de Planejamento e Finanças; e por Viviane Mary Sanches Barbosa, representando a Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos.

O grupo acompanhará os trabalhos de auditoria administrativa e financeira; analisará os relatórios apresentados pela interventora; e emitirá parecer técnico opinativo acerca da regularidade procedimental dos contratos assistenciais vigentes.

A comissão também poderá sugerir medidas corretivas e estruturantes destinadas ao fortalecimento da governança e sustentabilidade econômico-financeira da entidade e deverá apresentar relatório conclusivo à prefeita Samanta Borini, no prazo máximo de 90 dias.

O decreto prevê que a interventora poderá designar servidores para apoio técnico e administrativo à condução da intervenção, cabendo a ela a responsabilidade decisória.

Intervenção

A Santa Casa de Birigui está sob intervenção da Prefeitura desde fevereiro de 2022. Ao assumir a administração municipal, em janeiro de 2025, a prefeita Samanta Borini publicou decreto mantendo a intervenção e nomeou Fernando Gonçalves Silva como interventor.

Ele foi substituído em 22 de abril de 2025 por Sirlei de Paula Pereira, após ser destituído a pedido. Em 2 de junho, o médico Carlos Antônio Gonçalves de Souza Filho foi contratado para assumir a função de Diretor Técnico do Hospital, pelo período de um ano, ao valor mensal de R$ 10.000,00.

E em 14 de julho de 2025, a empresa dele foi contratada para a prestação de serviços especializados na área de cirurgia geral. O contrato prevê a realização de todos os serviços que o hospital esteja autorizado a realizar, em regime de plantões presenciais, 12 horas por dia, conforme escala médica, de acordo com os princípios do SUS (Sistema Único de Saúde) e normativas do Conselho Federal de Medicina.

Representação

Conforme publicado pelo Hojemais Araçatuba, na representação apresentada ao Ministério Público, André Fermino informa que esse contrato teria sido assinado sem licitação prévia e que o Diretor Técnico também acumularia outras funções, inclusive a de fiscalizar o contrato, e que não haveria clareza na prestação de conta dos serviços prestados.

O ex-parlamentar aponta ainda que a empresa anterior receberia aproximadamente R$ 46.000,00 mensais e que a atual estaria recebendo cerca de R$ 110.000,00, sob justificativa de ampliação por cirurgias eletivas, que já constariam no contrato e são remuneradas via AIH/SUS. 

Por fim, cita que não são publicadas de forma clara nos portais oficiais, as cópias dos contratos integrais, os aditivos, os relatórios de produção cirúrgica e detalhamento de custos, o que em tese, estaria ferindo a legislação, que impõe transparência, especialmente quando há aplicação de recursos públicos.

 
 
 
 
FONTE: HOJE MAIS