CTG Brasil assume gestão do zoológico de Ilha Solteira após ação do Ministério Público Federal de Andradina

CTG Brasil assume gestão do zoológico de Ilha Solteira após ação do Ministério Público Federal de Andradina

foto de moises eustaquio

A CTG Brasil está assumindo a gestão do zoológico de Ilha Solteira. A identidade visual na entrada do espaço, que antes trazia o nome da Companhia Energética do Estado de São Paulo, já foi alterada e agora traz o nome da empresa chinesa, que controla a usina hidrelétrica desde 2016.

A empresa ainda não informou se a manutenção e exposição dos animas no local sofrerá alguma alteração. Já as visitas públicas, aos sábados e domingos, estão mantidas.

A Justiça Federal de Andradina determinou em outubro de 2018 que a CTG assumisse a gestão e manutenção do Centro de Conservação de Fauna Silvestre (CCFS), o zoológico. A determinação atendeu ao pedido de liminar do Ministério Público Federal (MPF).

Pela decisão, a CTG deveria restabelecer as atividades do Centro, incluindo a fauna silvestre, triagem de animais resgatados, pesquisa científica e programa de educação ambiental, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia de descumprimento.

O Ministério Público Federal entrou com ação para que a concessionária Rio Paraná Energia S.A., controlada pela CTG Brasil, assumisse a gestão e manutenção do Centro de Conservação, afirmando que isso é uma das condicionantes das licenças de operação das usinas hidrelétricas Jupiá e Ilha Solteira, localizadas na divisa dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

A exigência, imposta pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em 2014 e 2015, durante o processo de regularização ambiental dos empreendimentos, vinha sendo descumprida pela Rio Paraná desde que assumiu a concessão, há quase dois anos.

Em julho de 2016, após vencer o leilão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a concessionária passou a ter responsabilidade exclusiva pelo cumprimento da legislação ambiental e das obrigações contidas nas licenças de operação das usinas. Controlada pela filial brasileira da gigante chinesa China Three Gorges Corporation, a maior produtora de energia hidrelétrica do mundo, a Rio Paraná vai explorar a concessão do serviço pelo período de 30 anos.

Como já havia recomendado em 2017, o MPF pediu que o Ibama não aprovasse a substituição do CCFS pelo Corredor Ecológico dos Rios Sucuriú e Taquari, como desejava a empresa.

Em relação à Rio Paraná, a ação pediu que fossem restabelecidas todas as atividades do centro de Ilha Solteira, incluindo a conservação da fauna silvestre, a triagem de animais resgatados, a pesquisa científica no manejo das espécies e o programa de educação ambiental, popularmente conhecido como zoológico, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia de descumprimento.

 

INTERESSE FINANCEIRO

A ação ajuizada pelo MPF destacou que a conduta da empresa de ignorar suas obrigações para com o CCFS foi impelida unicamente por razões financeiras, visando não realizar despesas com a aquisição da atual estrutura física pertencente à CESP ou com a construção de espaço semelhante.

De forma a regularizar sua postura ilegal, a concessionária solicitou ao Ibama a substituição do centro de Ilha Solteira pela implantação do "Corredor Ecológico dos Rios Sucuriú e Taquari" como exigência para as licenças de operação das usinas.

Em reuniões realizadas em 2016, o instituto acenou positivamente com a permuta e autorizou a desativação do CCFS, apesar de não haver estudos científicos demonstrando que o novo projeto resultaria em benefícios ambientais superiores aos obtidos com o centro de conservação.

Para o MPF, esta decisão é francamente desfavorável à manutenção do equilíbrio ecológico da região impactada pelas usinas hidrelétricas. Entre os pontos negativos listados pelo procurador Thales Fernando Lima está o fato de o novo corredor ecológico apenas contemplar municípios situados no Mato Grosso do Sul, ignorando os danos causados pelos empreendimentos em cidades paulistas, mineiras e goianas.

Além disso, o reflorestamento de áreas de preservação permanente previsto no projeto já é uma obrigação legal imposta à concessionária pelo Novo Código Florestal, não podendo assim ser considerado como condicionante das licenças de operação.


CCFS

Criado em 1979 com a função de abrigar os animais que tiveram seus habitats alagados pela formação dos reservatórios das usinas, o CCFS se tornou um centro de referência no manejo da fauna silvestre da Mata Atlântica e do Cerrado.

Com o passar dos anos, passaram a ser desenvolvidas pesquisas científicas e a reprodução em cativeiro de diversas espécies ameaçadas, como onça-pintada, cervo-do-pantanal, lobo-guará e tamanduá-bandeira.

O local também passou a desempenhar a função de centro de triagem, recebendo animais silvestres apreendidos ou resgatados pelo poder público. Entre 2015 e 2016, por exemplo, 239 espécimes foram entregues ao CCFS pela Polícia Militar de São Paulo. Soma-se a isso o Programa de Educação Ambiental, por meio do qual eram atendidas mais de 30 mil pessoas por ano, entre as quais muitos estudantes.

Atualmente, o centro abriga cerca de 230 exemplares da fauna regional, incluindo répteis, aves e mamíferos. Diante da omissão da Rio Paraná, a subsistência dos animais vem sendo assegurada pela Companhia Energética de São Paulo (CESP), que era a responsável pelas usinas até julho de 2016. Contudo, o descaso da nova concessionária resultou no encerramento das atividades de pesquisa científica, de triagem de espécimes resgatados e de educação ambiental.

Apesar de ter deixado o controle a da usina de Ilha Solteira, a CESP vinha mantendo a manutenção do CCFS. Agora a estatal paulista deixa definitivamente o local, passando a gestão para a CTG.

 

FONTE: ILHA DE NOTÍCIAS